O pessoal que anda nas manifestações julga-se todo pertencente à mesma tropa, e o PCP/CGTP e o Bloco querem aproveitar-se disso para dizer que todos aqueles, que não votaram, ou que votaram em qualquer dos partidos, estão ali todos pelo mesmo. Nada mais falso.
Vejam as entrevistas que fazem na TV aos manifestantes.
i) Há os funcionários públicos que estão ali pela recuperação dos “direitos adquiridos”, cortes de subsídios e pensões, cortes de vencimentos, salário comido por impostos, etc.
ii) Há também gente que trabalhava no privado e diz que está ali porque as empresas faliram devido ao IVA da restauração, à austeridade, etc e que o que é preciso fazer é o Estado cortar na despesa e despedir o terço de funcionários públicos que está a mais.
iii) Há ainda os que, devido ao excesso e rigidez de direitos da geração pós-Abril (objectivamente, em comparação com países europeus que vivem bem melhor que nós), com as irresponsáveis escolhas de cursos na área de letras (culpa dos sucessivos Governos que mantiveram essas vagas e dos próprios que descuraram que o primeiro curso que a pessoa tira é para trabalhar e a economia tem de ter necessidade dessa formação, julgando-se com direito a trabalhar na área de filologia, linguística, filosofia, etc só porque têm canudo) e vítimas da excessiva rigidez dos direitos laborais ou são precários em call-centers ou hipermercados ou desempregados sem qualquer perspectiva (estes apoiam os sindicatos, quando a precariedade é a variável de ajustamento que as empresas têm tido para ter flexibilidade – na realidade deveria haver apenas um tipo de contrato de trabalho mais flexível para as empresas e que assegurasse dignidade e direitos aos trabalhadores, meio termo entre a excessiva rigidez e a exploração dos precários, devendo as autoridades exercer forte fiscalização; isto é o que se passa no centro e norte da Europa, países em que o nível de vida é muito superior ao português).
Andam todos juntos mas a clamar por status quo diferentes, o que interessa a uns não interessa aos outros.
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