quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sobre a Corrupção

Mais um artigo sobre corrupção (Diário Económico online: http://economico.sapo.pt/noticias/no-topo-da-corrupcao-esta-o-estado_135639.html).  
Não posso deixar de assinalar que sempre que se fala em corrupção e em compadrios o povo português só olha para casos de milhões, não olha para os casos de tostões. Quando assim é, em muitos casos - e por uma questão de dedução lógica que muitos se recusam a reconhecer- , não se trata de criticar a corrupção, mas de demonstrar a inveja que sentem por não deitarem a mão a esses milhões. Caso contrário, muita gente começaria por criticar o facto de para as Câmaras, para os Hospitais, etc. (estranhamente?!!!...) só ser recrutada gente da terra, sendo que os outros (porventura mais legítimos candidatos), incluindo os de fora têm sempre pior curriculum do que esses? Porque será? São realmente CONCURSOS PÚBLICOS? Há que atacar primeiro estes casos, onde nasce toda a mentalidade corrupta de muito do nosso povo, que só espera pela oportunidade de jogar a mão a milhões (para sair da escala dos tostões), só depois acabarão os casos que saem nos jornais relativos a tubarões que, por o serem, muito raramente vão dentro...
Há necessidade de criar uma agência nacional de recrutamento público, aproveitando o contributo dos académicos da área de recursos humanos das Universidades Públicas, para que (i) progressivamente, as pessoas que trabalhem nas Câmaras e em outras instituições não sejam só da terra ou do Partido A, B, ou C, havendo realmente igualdade de oportunidades, (ii) para que o nível técnico vá progressivamente aumentando, deixando as Administrações Públicas de gastar milhões em consultores das mais variadas especialidades, pelo facto dos que lá estão não saberem fazer o trabalho para o qual foram contratados, porque não lhes deram a oportunidade de ter melhor experiência profissional (ciclo vicioso), (iii) e para que ao longo do tempo se vá criando uma cultura de meritocracia. Há ainda necessidade de se poderem despedir os incompetentes, sendo substituídos por competentes. Os profissionais por turnos picam sempre ponto (por exemplo, na área da saúde, que representa um peso significativo no Orçamento de Estado)? Quem e como se mede a produtividade de quem faz horas extraordinárias? Alguém estudou se quem recebe horas extraordinárias na Administração Pública tem rendimentos do Privado e se isso não corresponderá a mais de 24h de trabalho por dia? Não sei se a resposta a estas questões é afirmativa, mas faço votos que sim.
Só com justiça e equidade é que a Sociedade pode ser mais justa. Caso contrário, “a má moeda expulsará a boa moeda”, ou seja, os melhores jovens qualificados continuarão e emigrar, com grandes prejuízos para o futuro do País.

Nota: O que escrevo aqui são pensamentos e interrogações que me surgem, ou algo típico de conversas de cafés, nada de concreto...

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