sábado, 21 de janeiro de 2012

As Alterações na Legislação Laboral e os “Indignados”

Em minha opinião, era essencial para o futuro do País uma alteração da legislação laboral em Portugal. Trata-se de uma reforma essencial (entre outras necessárias – justiça, educação, Administração Pública, etc.) para a competitividade da economia nacional, pois permite diminuir o risco de novos investimentos e, assim, criar um mais elevado nível de emprego estrutural a médio e longo prazo, pois quem investe arrisca o seu capital (seja ele pequeno, como no caso de uma microempresa, ou bem mais avutado) e de certeza que mais tomará a decisão de investimento quanto menos ficar amarrado a custos fixos imutáveis, que equivale a dizer que, em cenários menos favoráveis, conseguirá salvar parte do que investiu e, logo, parte dos empregos que criou, não perder tudo e preparar o negócio para uma recuperação.
Claro que alguns patrões sem escrúpulos se aproveitarão da situação para despedir trabalhadores. E que em recessões se perderão mais postos de trabalho. Mas também é claro e factual – basta ver as estatísticas – que países com maior flexibilidade laboral têm um nível de emprego mais elevado a longo prazo e um maior desenvolvimento social, pois criam muito mais postos de trabalho em épocas de expansão. E isto vale a pena.
E, ao contrário do que muitos pensam, esta reforma é importante para a dignificação dos bons trabalhadores. Pensem os leitores na parasitagem que são as falsas empresas de trabalho temporário que, aproveitando-se da rigidez da lei, proporcionam flexibilidade às empresas clientes, a troco de uma margem entre a hora/homem que recebem e a que pagam ao trabalhador, quando deveria ser tudo do trabalhador – em Portugal, há muita gente que é trabalhador temporário e está na mesma empresa cliente há 4/5 anos! Pensem ainda na falta de dignidade imposta aos trabalhadores a falsos recibos verdes, a quem são negados os direitos da sua relação laboral, de facto. A flexibilidade laboral permitiria ainda criar uma cultura de meritocracia, em que uma empresa poderia despedir um incompetente para empregar um competente, o que é muito difícil de fazer actualmente. E esta cultura passaria necessariamente para as gerações mais jovens, que aumentariam os seus índices de esforço e de auto-exigência no seu processo educativo, em  vez de passarem as aulas a mandar sms.
Continuam por aí as “marchas dos indignados”. As razões causadoras do elevado volume de desempregados qualificados e de “empregados” (que, de facto, o são) precários são várias, sendo que todas conduzem à falta de competitividade da economia. Entre as várias estão, dede logo, a incapacidade de muitos jovens serem responsáveis na escolha de um curso com empregabilidade e ajustado às necessidades do País (optando por cursos de letras sem qualquer saída), aos sucessivos Governos serem incapazes de reconhecer isto e limitarem vagas ou fecharem mesmo cursos com elevada taxa de desemprego entre os seus licenciados (o que interessava para as eleições era aumentar as vagas) e, talvez mais que todas as outras, a rigidez laboral. Não tendo a economia um meio termo de flexibilidade no ajustamento do recurso trabalho, terá forçosamente de gerar alternativas de uma espécie de “mercado negro” legalizado, que passa pelo falso trabalho temporário e pelos recibos verdes (para além do próprio emprego não declarado). Ora, se a rigidez da lei laboral provoca a precariedade, como é que os “indignados” se manifestam contra esta reforma laboral? Andarão manipulados por quem?
Espero bem que estas alterações valham a pena (e que ainda tenhamos jovens de potencial no País...). Ao contrário do que muitos dizem, não é em cenário de recessão que as mesmas devem ser avaliadas, daqui a várioas anos. É sim a longo prazo, após um prazo de expansão económica. Porque só vale a pena ser mais fácil despedir para ser mais fácil contratar. E sem isto não se gera a rotação de recursos humanos, no sentido da meritocracia, nem tão pouco se acabará com a precariedade.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sobre a Corrupção

Mais um artigo sobre corrupção (Diário Económico online: http://economico.sapo.pt/noticias/no-topo-da-corrupcao-esta-o-estado_135639.html).  
Não posso deixar de assinalar que sempre que se fala em corrupção e em compadrios o povo português só olha para casos de milhões, não olha para os casos de tostões. Quando assim é, em muitos casos - e por uma questão de dedução lógica que muitos se recusam a reconhecer- , não se trata de criticar a corrupção, mas de demonstrar a inveja que sentem por não deitarem a mão a esses milhões. Caso contrário, muita gente começaria por criticar o facto de para as Câmaras, para os Hospitais, etc. (estranhamente?!!!...) só ser recrutada gente da terra, sendo que os outros (porventura mais legítimos candidatos), incluindo os de fora têm sempre pior curriculum do que esses? Porque será? São realmente CONCURSOS PÚBLICOS? Há que atacar primeiro estes casos, onde nasce toda a mentalidade corrupta de muito do nosso povo, que só espera pela oportunidade de jogar a mão a milhões (para sair da escala dos tostões), só depois acabarão os casos que saem nos jornais relativos a tubarões que, por o serem, muito raramente vão dentro...
Há necessidade de criar uma agência nacional de recrutamento público, aproveitando o contributo dos académicos da área de recursos humanos das Universidades Públicas, para que (i) progressivamente, as pessoas que trabalhem nas Câmaras e em outras instituições não sejam só da terra ou do Partido A, B, ou C, havendo realmente igualdade de oportunidades, (ii) para que o nível técnico vá progressivamente aumentando, deixando as Administrações Públicas de gastar milhões em consultores das mais variadas especialidades, pelo facto dos que lá estão não saberem fazer o trabalho para o qual foram contratados, porque não lhes deram a oportunidade de ter melhor experiência profissional (ciclo vicioso), (iii) e para que ao longo do tempo se vá criando uma cultura de meritocracia. Há ainda necessidade de se poderem despedir os incompetentes, sendo substituídos por competentes. Os profissionais por turnos picam sempre ponto (por exemplo, na área da saúde, que representa um peso significativo no Orçamento de Estado)? Quem e como se mede a produtividade de quem faz horas extraordinárias? Alguém estudou se quem recebe horas extraordinárias na Administração Pública tem rendimentos do Privado e se isso não corresponderá a mais de 24h de trabalho por dia? Não sei se a resposta a estas questões é afirmativa, mas faço votos que sim.
Só com justiça e equidade é que a Sociedade pode ser mais justa. Caso contrário, “a má moeda expulsará a boa moeda”, ou seja, os melhores jovens qualificados continuarão e emigrar, com grandes prejuízos para o futuro do País.

Nota: O que escrevo aqui são pensamentos e interrogações que me surgem, ou algo típico de conversas de cafés, nada de concreto...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A mania de ter casa própria! Só que não nos davam alternativa...

Muitas vezes é bem melhor arrendar. É que com a desvalorização do património sofre quem o tem... o segredo é comprar a bom preço porque nunca há a garantia de conseguir vender a bom preço. Mas melhor teria sido termos tido, nas últimas décadas neste País oferta a sério para a opção do arrendamento, em vez de se dar crédito a quem quer que fosse, com a banca a emprestar para construtores receberem, endividando famílias que, muitas delas, não sabem se conseguirão devolver os empréstimos à banca. Em Portugal, a banca (irresponsavelmente) alimentou o sector da construção/imobiliário, que por sua vez cresceu para um excesso de capacidade instalada que, salvo erro, em 2003/2004 representaria uns 10% do emprego nacional (incluindo actividades relacionadas). Já alguém fez contas a quantas casas há para venda e quantos agregados familiares temos? Quantos prédios novos há só com uma ou duas fracções vendidas? E, com o fim progressivo dos antigos regimes de rendas - perante os quais os senhorios e seus herdeiros só queriam que os prédios caissem de tão degrados -, muito mais oferta provirá de imóveis recuperados/reabilitados, ainda por cima em zonas históricas das cidades, zonas sempre muito apetecíveis. Do Diário Económico, o que uma consultora imobilária diz relativamente à possível evolução do mercado imobiliário: http://economico.sapo.pt/noticias/imobiliario-tem-de-cair-ate-40-para-voltar-a-ser-atractivo_135644.html
Tão melhor seria se uma boa parte desse crédito se tivesse destinado a investimentos mais produtivos.

Nova Lei do Arrendamento

Para quem não leu, aqui fica o link para um artigo do Diário Económico online relativo à nova lei do arrendamento: http://economico.sapo.pt/noticias/advogados-respondem-a-duvidas-sobre-as-rendas_135648.html